| |
Carlos Alberto
Serras de Oliveira nasceu no Brasil, em Belém do
Pará, corria o ano de 1921. Aí se encontravam seus
pais, portugueses cumprindo o fado (curto) da emigração.
Longe da tranquilidade que só uma adaptação conseguida
transporta, regressam a Portugal em 1923, fixando-se
primeiro na Camarneira, onde vivia um seu avô, e
quatro anos mais tarde em Febres para onde o pai,
o saudoso Dr. Américo de Oliveira, virá exercer
medicina depois de ter sido designado médico municipal.
Aqui, Carlos frequenta a Escola Primária, onde foi
discípulo da Professora Maria dos Prazeres Barbosa
Baptista.
É pois aqui, em
plena Gândara, que o "Carlitos", como era conhecido,
passará a infância e a juventude, mantendo sempre
ao longo da sua vida e na sua obra uma forte ligação
a esta região.
"Meu pai era médico
de aldeia, uma aldeia pobríssima: Nossa Senhora
das Febres. Lagoas pantanosas, desolação, calcário,
areia. Cresci cercado pela grande pobreza dos camponeses,
por uma mortalidade infantil enorme, uma emigração
espantosa. Natural portanto que tudo isso me tenha
tocado (melhor, tatuado). O lado social e o outro,
porque há outro também, das minhas narrativas ou
poemas publicados (...) nasceu desse ambiente quase
lunar habitado por homens(...)O Aprendiz de Feiticeiro,
p. 204.“Trago a janela de muito longe, da casa
de meu avô”(idem, p. 173).
Durante dois anos
(1931-33) frequenta o ensino secundário em Cantanhede,
vila que inspirará a "Corgos" dos seus romances.
Vai depois para Coimbra (1933), onde frequenta o
Liceu D. João III, cidade onde permanecerá até 1948.
Aí estuda e acabará por formar-se em Histórico-Filosóficas.
Convive com grandes figuras da Cultura Portuguesa,
consagrados já uns, outros, como ele, sedentos de
conhecer: Afonso Duarte, João José Cochofel, Joaquim
Namorado, Fernando Namora são alguns íntimos seus.
Durante este "período
coimbrão" da sua vida publica o seu primeiro livro
de poemas, Turismo (1942), com ilustrações de Fernando
Namora. Publica depois o seu primeiro romance, Casa
na Duna (1943) logo seguido de Alcateia (1944),
livro que virá a ser apreendido pela PIDE, a polícia
política de Salazar.
Visita Febres nas
férias, sempre que pode, fazendo-se acompanhar,
por vezes, de Fernando Namora com quem jogava a
malha no Largo em convívio com populares.
Em 1948 muda-se
para Lisboa, continuando apesar disso a deslocar-se
a Coimbra com frequência. Um ano mais tarde casa
com Ângela, uma jovem madeirense que conhecera em
Coimbra enquanto estudante e que será a sua companheira
de todas as horas. A ela dedica o escritor alguns
dos seus livros (o romance Finisterra), poemas como
"Carta a Ângela" e "Ilha" de Terra de Harmonia e
ainda alguns excertos, como é o caso do seguinte
em que surge referida anagramaticamente como Gelnaa: "Ainda
jovem quando a conheci, os olhos mais claros do
que hoje (a vida escureceu-lhos bastante), o cabelo
solto num halo de bruma e brisa, que faz pensar
nos amanheceres da sua ilha (...)"(O Aprendiz de
Feiticeiro)
In «Sabores de terra e mar»
|
| |
Obras poéticas:
Turismo (1942), Mãe Pobre (1945), Descida aos Infernos
(1949), Terra de harmonia (1950), Cantata (1960),
Sobre o Lado Esquerdo (1968), Micropaisagem (1969),
Entre Duas Memórias (1971), Trabalho Poético (2
vols., 1977-1978), Pastoral (1977). Obras de ficção:
Casa na Duna (1943), Alcateia (1944), Pequenos Burgueses
(1948), Uma Abelha na Chuva (1953), Finisterra (1978).
Crónicas: O Aprendiz de Feiticeiro.
|