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D. Luis de Menezes
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D. Luis de Menezes :

 

Aos treze dias de Dezembro de 1603 nasceu na vila de Cantanhede um indivíduo do sexo masculino, que recebeu o nome de António Luís. Era filho de D. Pedro de Meneses, 2.º Conde de Cantanhede, e de sua mulher, D. Constança da Câmara (ou de Gusmão ). Foram padrinhos de baptismo seu tio, D. João Coutinho (arcebispo de Évora) e sua avó materna, D. lnês de Ávila. António Luís descendia por sua mãe dos condes de Marialva. Tomou parte na Revolução de 1640, foi nomeado mestre-de-campo do terço de Cascais, novamente criado, e passou a comandar um terço do Alentejo. Foi governador de Cascais e seu distrito até que, quando a rainha regente quis formar um exército para socorrer Elvas, foi nomeado comandante dele, sem dúvida pela sua importância social. Ganhou a Batalha das Linhas de Elvas, fazendo desaparecer o iminente risco em que Portugal se encontrava. Elevado ao título de Marquês de Marialva (era já 3.º Conde de Cantanhede desde a morte de seu pai), foi governador das armas do Alentejo, dirigindo a pouco feliz campanha de 1662. Passou depois a governador das armas da Corte, indo colaborar na reconquista de Évora (1663). No ano seguinte, dirigiu o mais numeroso exército que sustentámos nessa guerra, tomando Valência de Alcântara. Como capitão-general do Alentejo obteve, em 1665 a importante vitória de Montes Claros.

Quando se tratou da paz, foi um dos seus negociadores, depois do que exerceu os cargos de conselheiro de Estado e da Guerra, capitão-general e vedor da Fazenda. Nas desavenças políticas entre o partido de Castel Melhor e os seus adversários o Marquês de Marialva parece ter tomado primeiro uma posição favorável ao escrivão da Puridade, mas, em 1667, seguiu partido claramente contra ele. A 19 de Maio de 1675 faleceu D. António Luís de Meneses. Morreu pobre e muito endividado, pois todos os seus rendimentos foram postos ao serviço da Pátria: gostava de recompensar devidamente os seus soldados, por eles repartindo não só dinheiro como víveres, oriundos de seus haveres pessoais.
 

 
Estátua do Marquês de Marialva
 
O 1º Marquês de Marialva numa pintura da Galeria dos Ofícios de Florença
 


Aberto o seu testamento, nele declarava que o seu corpo fosse sepultado no seu Convento de Cantanhede, da parte de fora da igreja, num carneiro com campa rasa, sem pompa alguma. Como o Convento não estava pronto, ordenava que fosse sepultado na Capela dos Meneses, existente na Igreja Matriz. Tais determinações foram fielmente cumpridas, sendo o corpo do 3.º Conde de Cantanhede depositado numa larga campa que existe ao meio da Capela dos Meneses (Capela do Santíssimo Sacramento). Trinta e oito anos mais tarde, o seu descendente, D. Diogo José Vito de Meneses Noronha Coutinho, 7.º Conde de Cantanhede e 5.º Marquês de Marialva, providenciou a trasladação dos restos mortais de D. António Luís, que ficaram depositados no átrio da Igreja do Convento de Santo António (hoje conhecida por Igreja da Misericórdia), em campa rasa, com a seguinte inscrição:

"Aqui jaz, e está sepultado o Corpo do Marquês de Marialva
D. ANTÓNIO DE MENESES que faleceu aos 19 de Maio de 1675
Pede à piedade christã hum Padre Nosso e uma Ave Maria pela sua alma"

In «Sabores de terra e mar»