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A Viagem com o Grupo Típico de Ançã
17 março 2019, 17h00


Local: Pavilhão Multiusos de Febres
Febres


Promotor: CIM-RC e Município de Cantanhede


No próximo dia 17 de março, domingo, pelas 17h00, o Pavilhão Multiusos de Febres vai acolher o espetáculo de apresentação pública do projeto “A Viagem”, da autoria da coreógrafa e performer Filipa Francisco. É um projeto que tem por fim último a articulação das danças tradicionais que os grupos de folclore tão bem interpretam e mantêm vivas com a dança moderna. A esta apresentação precede um considerável tempo de preparação, primeiro da parte da coreógrafa, definindo claramente o rumo a seguir e o cumprimento dos objetivos que visa alcançar, mas também de preparação com o grupo local, em tempos de ensaio, de desconstrução e de reconstrução de um espetáculo sempre singular do qual resulta essa mistura tão genuína das danças tradicionais com a força e interpretação da dança contemporânea. O grupo com que Filipa Francisco tem vindo a trabalhar e com o qual vai partilhar o palco é o Grupo Típico de Ançã, fiel repositório das danças, cantares, trajes, usos e costumes locais que caracterizam e identificam uma comunidade. Ainda que o projeto se repita noutros municípios, uma vez que integra o vasto programa de dinamização cultural em rede proposto pela Comunidade Intermunicipal - Região de Coimbra, cada espetáculo é único, porque o trabalho com cada localidade é singular, é particular e no nosso caso, transversal a todo o nosso concelho. 

Sobre o projeto: A dança tradicional não tem como fatalidade permanecer à margem da modernidade (nem tão pouco a modernização passa pela anulação das tradições). Sendo uma prática atual, obedece a regras e conjuga outras práticas e processos sociais. É, pois, neste sentido que o presente projeto ganha particular relevância. As danças tradicionais encontram-se patentes no imaginário coletivo como expressão de tradições populares regionais, associando-as à arte popular. Detêm relevante e inquestionável importância no que toca à cultura dos povos, pela riqueza que encerram no domínio dos costumes e tradições transmitidos de geração em geração, por via das canções, movimentos e trajares. Confrontando esta herança viva com percursos na música e na dança contemporânea, Filipa Francisco aprofunda a sua reflexão em torno da função social e política da arte, deslocando mais uma vez o seu trabalho artístico para espaços e linguagens que aumentam as possibilidades de encontro com o público. 

Filipa Francisco estudou na Escola Superior de Dança, na Companhia de Dança Trisha Brown, no Lee Strasberg Institute, em Nova Iorque, e com o dramaturgo André Lepecki. Trabalhou com os coreógrafos e encenadores Francisco Camacho, Vera Mantero, Silvia Real, Madalena Vitorino, Rui Nunes, Aldara Bizarro, entre outros. Dos seus trabalhos destaca “Leitura de Listas”, em colaboração com André Lepecki, “Dueto”, em cocriação com a Idoia Zabaleta, “Para onde vamos?”, projeto integrado nas Comemorações do Centenário da República – e “Vento & Pássaros”, para o público juvenil. Desenvolveu um trabalho de formação e criação com reclusos do Estabelecimento Prisional de Castelo Branco (Projeto Rexistir). Em 2007/2008 foi coordenadora de NU KRE BAI BU ONDA – um projeto de formação em dança e criação no bairro da Cova da Moura – do qual resultou a criação ÍMAN.
 
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