As Irmandades existentes em Enxofães e Murtede
As confrarias, também designadas por Irmandades, eram associações de fiéis constituídas com a finalidade de praticarem obras de piedade ou caridade e de promoverem o culto público.
Genericamente, foram fundamentais para reforçar os elos da solidariedade humana e da fraternidade cristã, principalmente em situações de fome, de doença, de pobreza ou de cativeiro; bem como o enterramento dos mortos e as orações pela sua alma.
A origem das confrarias situa-se, no continente europeu, durante a baixa Idade Média. Em Portugal, as primeiras associações deste tipo surgem no século XIV, instituídas, normalmente, em igrejas paroquiais, caracterizando-se por serem, na sua essência, um movimento laical.
A primeira menção encontrada, no que respeita à existência de uma confraria em Murtede, data de 11 de setembro de 1433, a qual tinha, como finalidade, ocupar-se dos funerais realizados na paróquia.
Do ponto de vista orgânico, as confrarias regiam-se pelos respetivos estatutos, também designados por compromissos ou regimentos, cuja validação carecia da aprovação eclesiástica.
Do ponto de vista eclesiástico, Murtede e Enxofães encontravam-se, jurisdicionalmente, unidas e as instituições religiosas aí existentes também eram comuns, ainda que seja evidente uma certa independência da capela de Enxofães, que era mediata ao mesmo lugar.
Com as chamadas Leis da Desamortização, os bens das Irmandades foram vendidos em hasta pública, o que as levou a uma lenta agonia, culminando mesmo com a extinção da sua grande maioria.
Em exposição vão estar objetos que pertencem às Irmandades do Santíssimo Sacramento, de Murtede e de Nossa Senhora do Terço, de Enxofães.