Foi presumivelmente pela mão de D.Jorge de Meneses, senhor de Cantanhede, que o artista, que o sobrenome toponímico denuncia como ruanense, recentemente chegado a Portugal, se deslocou das cercanias do Tejo para as do Mondego, para lavrar o retábulo da Varziela, antecâmara dos seus trabalhos em Coimbra. E a Cantanhede voltaria, agora pela mão desse edificador que foi D.João de Meneses, que sucedera no senhorio de Cantanhede em 1533, para, como testemunha o alvará do primeiro de junho de 1542, obrar no panteão dos Meneses, a capela situada do lado da Epístola da cabeceira da Matriz de Cantanhede.
A atenção historiográfica que tem merecido este artista multifacetado, figura central do Renascimento, tem-se incentivado, mas não sem colmatar questões que permanecem em aberto.
Daí justificar-se esta revisitação de João de Ruão, que reúne uma dezena de estudiosos para quem a figura era já conhecida.
Revisitar-se-ão a personalidade e os seus laços familiares, a génese da obra, a transversalidade dos modelos compositivos, as tipologias e modelos formais e estilísticos, a aplicação de princípios geométricos e matemáticos. Percorrer-se-ão os trabalhos em Cantanhede, Coimbra, na Sé Velha e em Santa Cruz, e em Sta.Iria de Tomar. Enunciar-se-ão questões, tecer-se-ão hipóteses, corroborar-se-ão elementos.
Espaços que o artista percorreu, Cantanhede, a Sé Velha de Coimbra e o Mosteiro de Santa Cruz, com o seu jardim da Manga serão o espaço desta revisitação|. Depois, rememorando seu filho Jerónimo, que herdou a vocação arquitetónica paterna, estender-se-á o itinerário a Lisboa, a Igreja da Luz e o Mosteiro de Santa Maria de Belém, cujos altares-mores traçou.