O XVI Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede começa no próximo fim-de-semana

Em 15 associações do concelho de Cantanhede, fazem-se os últimos preparativos para a participação numa das maiores ações culturais do país em torno das artes cénicas de pendor popular. O XVI Ciclo de Teatro Amador começa já no próximo fim-de-semana e nas coletividades envolvidas é grande a azáfama para ultimar a encenação e montagem dos espetáculos que serão levados a cena durante cerca de dois meses. Desde há 16 anos que é assim, no final do inverno. Na edição de 2014, mais de 300 pessoas vão estar envolvidas neste programa de dinamização da atividade teatral promovido pelo Município de Cantanhede para incentivar os agentes culturais a terem uma prática regular neste domínio, o que em alguns casos parte da recuperação de antigas tradições de natureza comunitária.

Um dos aspetos mais relevantes registados nas edições anteriores tem a ver com a forte mobilização dos jovens que, juntamente com os mais velhos, dão corpo a uma ação que contribui para a coesão social das comunidades onde vivem, retirando daí assinaláveis benefícios do ponto de vista da sua formação cívica e cultural.

Por outro lado, além do reforço do relacionamento entre diferentes gerações em torno de uma atividade de manifesto interesse cultural, a autarquia cantanhedense atribui especial importância à partilha de experiências entre os grupos cénicos participantes, quer no que diz respeito ao desenvolvimento artístico e técnico das suas produções teatrais quer no que se relaciona com a formação de novos públicos.

Nesse sentido, o investimento da Câmara Municipal na realização do XVI Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede traduz-se, mais uma vez, na atribuição de um subsídio para as despesas inerentes à preparação, montagem e representação das peças e ainda num significativo apoio no que diz respeito à logística e divulgação.

É assim que, até final do próximo mês de março, haverá em todos os fins de semana espetáculos simultâneos nas freguesias onde desenvolvem intervenção cultural as coletividades que vão dar corpo ao evento. Segundo um modelo de organização concebido para favorecer a troca de experiências entre os agentes culturais envolvidos, cada grupo de teatro realiza dois espetáculos, um na localidade onde está sedeada, outro numa das freguesias a que pertencem as restantes associações intervenientes, gerando-se assim uma intensa dinâmica de intercâmbio entre entidades que perseguem objetivos comuns ao nível das artes cénicas e, de modo mais abrangente, no campo da cultura.

XVI Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede/2014
Grupos Participantes

- Grupo de Teatro “As Fontes do Zambujal” da Associação Juvenil Zambujal e Fornos
- Grupo de Teatro Experimental “A Fonte” – Murtede
- Grupo de Arte e Cultura da Associação Musical da Pocariça
- Grupo de Teatro “Renascer” do Centro Social de Recreio e Cultura da Sanguinheira
- Grupo de Teatro Cordinha d’Água do Grupo Folclórico “Os Lavradores” de Cordinhã
- Grupo de Teatro Amador do Clube União Vilanovense
- GATT – Grupo Amador de Teatro da Tocha
- Grupo de Teatro da União Recreativa de Cadima
- Grupo de Teatro da ACDC - Associação Cultural e Desportiva do Casal
- Grupo de Teatro do CCR Pena
- Grupo de Teatro da Associação do Grupo Musical das Franciscas
- Grupo de Teatro da ARCO – Associação Cultural e Recreativa de Covões
- Grupo de Teatro Novo Rumo, Ançã
- Grupo de Teatro S. Pedro, Cantanhede
- Grupo Cénico do CSPO – Centro Social e Polivalente de Ourentã
 
O programa deste ano começa no próximo sábado, com duas peças de teatro: o Grupo de Teatro “As Fontes do Zambujal”, da Associação Juvenil do Zambujal e Fornos apresenta, na antiga Escola do 1.º CEB do Zambujal, às 21h00, “Falar Verdade a Mentir”, conhecida sátira de Almeida Garret, seguida de “A Invenção do Guarda Chuva”, comédia de teatro do absurdo escrita por Luiz Francisco Rebello e José Palla e Carmo em 1944; à mesma hora, o Grupo de Teatro Experimental “A Fonte” de Murtede sobe ao palco do salão da Junta de Freguesia de Murtede para representar “… Ai Agora é que se foi!!!...”, uma revista portuguesa com diversos números musicais onde se reveem os acontecimentos da atualidade político-cultural num registo de crítica de costumes.

Sobre o Grupo de Teatro As Fontes do Zambujal

O Grupo de Teatro “As Fontes do Zambujal” foi constituído há 15 anos e é composto atualmente por cerca de 20 elementos, maioritariamente das localidades de Zambujal e Fornos. A sua designação é uma referência às quatro fontes de origem romana que existiram no Zambujal, designadamente Fonte de Rodelos, Fonte Má, Fonte Perto e Fonte Seca.

As raízes desta formação teatral podem ser encontradas em 1954, mais precisamente em 27 de Maio, data em que foi fundado um agrupamento com o nome “Viva O. R. Zal” (Viva o Rancho do Zambujal). A iniciativa partiu de alguns indivíduos da comunidade que pretendiam desenvolver atividades de lazer para preencher os seus tempos livres, assim como manter vivas a tradição e a autenticidade dos trajes danças e cantares do Zambujal.

Depois de uma interrupção de alguns anos, o Grupo retomou o seu funcionamento em 1992, sob a nova designação de Grupo Folclórico “Os Malmequeres do Zambujal”. Em Julho de 1995, passou a integrar a Associação Juvenil do Zambujal e Fornos, mais precisamente a sua secção de folclore e em 1996 filiou-se no INATEL.

É nessa mesma altura que surge o Grupo de Teatro “As Fontes do Zambujal” que inicia um trabalho de produção teatral regular apresentando uma a duas peças anualmente, por altura da quadra natalícia e participando no Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede, desde a sua primeira edição.
Em 1998, faz a sua primeira apresentação fora da terra, mais precisamente nas Franciscas, no âmbito do I Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede, com as peças “Falar Verdade a Mentir” e “O Senhor”. No ano seguinte faz um périplo por várias localidades do Concelho de Cantanhede com as produções “O Céu da Minha Rua” e “Terra Firme”.

A peça que ensaiou e apresentou de seguida, no Natal de 2000, a comédia em três atos “Dois Maridos em Apuros”, constituiu-se como um grande sucesso perante o público, sendo apresentada igualmente no Ciclo de Teatro de Cantanhede do ano seguinte. Em dezembro de 2001 esta formação teatral apresentou a comédia “O Padre Piedade”, que também apresentou no Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede, em 2002.

Nos anos seguintes levou à cena as peças “A Carta Anónima”, em 2003, a comédia “O Processo de Mário Dâmaso”, em 2004, o drama “As Rosas de Nossa Senhora”, em 2005 e, em 2006, a comédia “Mendonça & Mendonça”. Na presente edição do Ciclo de Teatro Amador, leva a palco a peça com que participaram na primeira edição, “Falar Verdade a Mentir” de Almeida Garrett.

Desde o início da sua atividade que cabe a Dinis Fatia, atualmente Presidente da Assembleia-Geral e Coordenador do Grupo de Teatro, escolher as peças a serem apresentadas, bem como distribuir os diferentes papéis pelos atores, atendendo sempre às características e capacidades de cada um. É também o autor dos cenários, passando largas horas a pintar as imagens que servirão de fundo à atuação dos atores e cede, na sua própria casa, o espaço para os ensaios.

Sobre o Grupo de Teatro Experimental “A Fonte” de Murtede

O Grupo de Teatro Experimental “A Fonte” de Murtede foi fundado em 2000 por 24 jovens da freg