Identidade, território e memória. Foi a partir da relação entre estas três dimensões que se desenrolou a conferência que assinalou o 3.º aniversário do falecimento de Cândido Ferreira, figura marcante ligada à história, cultura e identidade da região. A organização esteve a cargo do Movimento Cidadania Democrática e contou com apoio do Município de Cantanhede.O encontro, que cruzou diferentes perspetivas de investigadores, especialistas e personalidades ligadas à cultura e à memória coletiva, decorreu no passado sábado, 14 de março, no Museu de Arte e do Colecionismo de Cantanhede.Ao intervir na sessão de abertura, a presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, começou por destacar a dimensão humana de Cândido Ferreira, a quem todos deverão estar “imensamente gratos” pela generosidade que teve para com o Município de Cantanhede, ao ceder as coleções que constituem o acervo do Museu de Arte e Colecionismo.“O inestimável benefício que o seu gesto de benemerência representa para o concelho, ao nível da oferta de serviços culturais e do reforço da atratividade do território foi de resto assinalado no voto de Louvor e Reconhecimento que esta autarquia lhe atribuiu”, sublinhou.Sobre a pertinência da conferência, a autarca lembrou que “pensar o território, a identidade e a memória é condição sine qua non quando se pretende perspetivar o futuro”, pelo que se trata de “um exercício obrigatório” no sentido em que o desenvolvimento sustentável das comunidades depende da sua capacidade de preservar e valorizar aquilo que as define.Exemplo disso, continuou, são alguns projetos que a Câmara Municipal tem em curso, nomeadamente o “Traçar a Memória” - centrado na caracterização das dinâmicas socioculturais que se desenvolveram no território concelhio em diferentes épocas -, o projeto “Gente da Nossa Terra” – que destaca percursos de vida, testemunhos e contributos de cidadãos com vidas marcantes na comunidade -, o programa “Visitas ao Património” - destinado a aproximar os cidadãos dos lugares de memória deste concelho - ou as “Tardes Comunitárias” - uma aposta na valorização da dimensão social e humana do território.O primeiro painel de debate contou as intervenções de José Manuel Silva, Fernando Simão, Armando Maia, Manuel Dias, Pina Prata e Silvério Manata - José Roquette não pôde estar presentes, mas foi lida a sua intervenção.Da parte da tarde, o segundo painel contou com intervenções de Fernando Pereira, Celso Monteiro, Elvira Callapez, Vítor Ilharco, Joaquim Afonso e Paulo de Morais.A moderação dos painéis esteve a cargo de Carlos Magalhães.Na sessão de encerramento que se seguiu, o vice-presidente da Câmara Municipal com o pelouro da Cultura, Pedro Cardoso, felicitou o Movimento Cidadania Democrática e o Grupo de Reflexão e Inovação para a Cidadania, “não só pela qualidade das intervenções, mas também pela pertinência, interesse e atualidade dos temas abordados”. Referiu ainda que “os prestigiados conferencistas, cujos percursos profissionais, cívicos e políticos merecem destaque, trouxeram abordagens enriquecedoras marcadas pela liberdade de pensamento, deixando muitas e oportunas interpelações”.O autarca sublinhou ainda “o significado especial deste momento”, não apenas pela temática em debate, mas também pelo contexto em que ocorreu - no Museu de Arte e do Colecionismo de Cantanhede, “que existe graças a generosidade, visão e compromisso de Cândido Ferreira”.