O Executivo aprovou na reunião camarária de terça-feira, 5 de maio, a Carta Municipal de Habitação de Cantanhede, que segue agora para consulta pública por um período de 30 dias úteis e, posteriormente, para aprovação pela Assembleia Municipal.O documento foi desenvolvido em cumprimento do disposto na Lei de Bases da Habitação, estruturando-se em torno das quatro componentes obrigatórias previstas na lei - diagnóstico, recursos, prospetiva e estratégia -, e tendo como suporte indicadores estatísticos da base de dados do INE, visitas ao território, entrevistas com os presidentes das Juntas de Freguesia do Município e uma reunião final com a equipa de acompanhamento e o Executivo Municipal.A Carta Municipal de Habitação de Cantanhede parte de um diagnóstico claro que entre múltiplos aspetos apresenta um mercado de arrendamento com oferta insuficiente e uma procura crescente, em particular no arrendamento, associada à dinâmica económica e aos fluxos migratórios do concelho.Com base nesta análise, foi elaborada uma estimativa global das necessidades habitacionais do concelho de Cantanhede para o período 2026-2035, articulando a evolução da procura com o contributo potencial do parque habitacional existente.As necessidades globais de alojamento para o período em análise estimam-se em cerca de 1.262 alojamentos, integrando situações de carência habitacional, formação de novos agregados, atracão de população ativa e fixação de novos residentes. Destes alojamentos, prevê-se que 726 sejam disponibilizados por via da reabilitação e 536 através da construção de novas habitações.“Precisamente para fazer face a estes desafios, este instrumento estratégico do Município para planear e responder às necessidades habitacionais da próxima década permite estabelecer metas e estratégias e definir soluções para o futuro, caminhos que há já algum tempo vêm sendo percorridos com a aprovação da revisão do Plano de Urbanização de Cantanhede, do PDM, com a Estratégia Local da Habitação e a aposta na promoção da reabilitação de habitações existentes, construção de novos fogos, promoção pública e investimento privado”, destacou o vice-presidente da Câmara Municipal, Pedro Cardoso.Partindo dos vários pressupostos elencados, a estratégia municipal de habitação define um conjunto de objetivos orientados para a melhoria das condições de acesso à habitação, a qualificação do edificado e a dinamização da oferta habitacional, em articulação com as especificidades territoriais do concelho e com os instrumentos de política pública disponíveis.Assim, a intervenção municipal visa, entre outros objetivos, criar condições habitacionais que favoreçam a fixação da população residente e a atração de novos residentes; potenciar a revitalização dos centros urbanos através da requalificação do edificado e do espaço público; promover soluções habitacionais diversificadas e acessíveis, adequadas a diferentes perfis socioeconómicos e demográficos; dinamizar o mercado de arrendamento, com estímulos à reabilitação e incentivos compatíveis com o enquadramento legal aplicável, contribuindo para o reforço da oferta; apoiar as famílias em início de vida e com menores rendimentos, através da mobilização de soluções habitacionais acessíveis e programas de apoio ao arrendamento; e estimular a mobilização do parque habitacional privado e o envolvimento de investidores, reforçando a complementaridade entre iniciativa pública e privada.Pedro Cardoso sublinhou ainda “a importância da etapa de consulta pública, que permite que cidadãos, entidades, empresas e associações apresentem sugestões ou críticas antes da aprovação definitiva pela Assembleia Municipal, garantindo um processo bastante participado”.Já o vereador com o pelouro do Urbanismo, Fernando Pais Alves, destacou “o empenho, profissionalismo e o trabalho extraordinário de toda a equipa” neste processo tão importante, pois “permite aceder a instrumentos legais e apoios públicos, ou seja, após aprovação, o Município pode beneficiar de mecanismos previstos na Lei de Bases da Habitação para reforçar a resposta habitacional”.Após o período de consulta pública, segue-se a apresentação e votação da versão final da Carta pela Assembleia Municipal, órgão a quem cabe também, sob proposta doExecutivo Municipal, aprovar a declaração fundamentada de carência habitacional, que confere ao Município acesso a instrumentos adicionais de intervenção, designadamente o reforço de áreas destinadas a uso habitacional nos instrumentos de gestão territorial, o condicionamento de operações urbanísticas privadas ao cumprimento das metas habitacionais definidas na Carta, para habitação permanente e a custos controlados, e o exercício do direito de preferência, com vista ao reforço da resposta habitacional local.