Ciclo de Teatro Amador prossegue em Ançã, Cantanhede, Pocariça, Casal (Cadima), Portunhos e Tocha

A agenda cultural do concelho de Cantanhede no próximo fim-de-semana continua dominada pelo ciclo de teatro amador promovido pela Câmara Municipal para fomentar a revitalização da produção teatral nas comunidades locais, estimulando as associações a desenvolverem atividade nesta área através de um apoio específico para o efeito. A edição deste, a vigésima, é a maior de sempre, quer quanto às entidades associativas envolvidas, que são 17, quer no que diz respeito ao número de participantes, um total de mais de 360 pessoas, entre atores e outros elementos que asseguram diversas tarefas inerentes à produção, encenação e montagem dos espetáculos.

A iniciativa prossegue na sexta-feira, 16 de março, às 21h30, com o regresso do grupo O Cénico dos “Esticadinhos” ao palco da sua sede, depois de na sua jornada de itinerância ter estreado A Revista vem a Cantanhede, uma adaptação de Fernando Geria. Trata-se de um espetáculo em torno do sucesso que este género teatral tem vindo a merecer pelo público local e que tem motivado o grupo a trazer a Cantanhede “A Revista”. Cenas bem divertidas, onde não falta a crítica social, a ironia, a música e sobretudo a fantasia sem limites numa noite que promete boa disposição.

No dia seguinte, 17 de março, também às 21h30, será a vez do Novo Rumo - Grupo de Teatro de Amadores de Ançã se apresentar perante o público da sua comunidade no Centro de Dia de Ançã. O Santo e a Porca, uma divertida comédia de Ariano Suassuna adaptada pelo Novo Rumo, conta a história de um velho avarento, devoto de Santo António, que guarda as economias de toda a vida numa porca-mealheiro. Ao receber uma carta de Eduardo Vicente, dizendo que este iria privá-lo de seu mais precioso tesouro, o avarento, fica apreensivo achando que se trata do dinheiro da porca, mas Felisberta, a empregada da casa, logo percebe que o tesouro em causa é Margarida, a filha do sovina, mas os equívocos gerados com a missiva, esses, prometem ser hilariantes.

Igualmente no sábado, à mesma hora, as Pequenas Vozes de Febres sobem ao palco da Associação Cultural e Desportiva do Casal para representar Asas no Coração, um musical baseado no livro de memórias The Story of the Trapp Family Singers, escrito por Maria von Trapp. A peça retrata a história de Maria, uma jovem que está num convento para se tornar freira, mas que, por conseguir seguir as rígidas normas das religiosas, é enviada para trabalhar como governanta de sete crianças. O pai dos meninos é um oficial da marinha, viúvo, que desde a morte de sua esposa educa as crianças com rigor militar. Depois de trazer música e amor para as vidas das crianças através da bondade e paciência, Maria casa-se com o capitão e, juntamente com as crianças, descobre uma maneira de sobreviver à perda da sua terra natal através da coragem e da fé.

No mesmo dia e à mesma hora, o Grupo de Teatro da Associação do Grupo Musical das Franciscas, leva ao palco do auditório do Centro Paroquial de Cantanhede Vivá Revista!, um original de Dora Jesus. A peça constituída por um conjunto de quadros satirizados da atual sociedade, seja a partir de uma figura pública ou de uma profissão estilizada, que conferem momentos bem divertidos, fazendo cumprir o ancestral princípio de que a rir se criticam os costumes.

Sábado haverá também teatro na sede da Associação Musical da Pocariça, onde, a partir das 21h30, o Grupo de Teatro Musical da Filarmónica de Covões irá representar 7 Vidas, o Musical, espetáculo inspirado no sobejamente conhecido musical de Andrew Lloyd Webber, numa adaptação de Ana Teresa Oliveira. A história retrata um grupo de gatos, conhecidos como Jellicle Cats, que se reúne uma vez por ano para celebrar o Jellicle Ball, ocasião em que se escolhe o felino que poderá ter uma vida melhor, renascendo. A história desenrola-se em modo de farsa com uma acutilante crítica social com cada personagem-gato a representar um estereótipo humano. A partir da meia-noite os gatos vão aparecendo para mostrar as suas habilidades numa fusão de poesia e dança para que só um seja escolhido num processo em que só conta aquilo que efetivamente valem.

Ainda no sábado, o Grupo de Teatro Amador da União Recreativa de Cadima sobe ao palco da Associação 1.º de Maio, da Tocha, para apresentar O dia em que Raptaram o Papa, comédia de João Bethencourt numa adaptação livre de Carla Leite, Maria João Espírito Santo e Paula Lucas. A peça tem como contexto o desaparecimento do Papa durante uma visita oficial, tendo como personagens o Sumo Pontífice, um taxista judeu e sua família, um rabino, um cardeal, forças militares, a comunicação social e a população de uma aldeia, de um país, do mundo inteiro. E a grande questão é: Qual será afinal o preço do resgate?

A jornada fica concluída no sábado, com o Grupo Cénico do CSPO – Centro Social e Polivalente de Ourentã a apresentar, às 21h30, na sala da Fundação Ferreira Freire, em Portunhos, “A Farsa do Advogado Patelino”, comédia baseada no original francês do final do século XV, “La farce de maître Pathelin”. Trata-se de uma comédia de costumes sobre as peripécias de um causídico esperto e ardiloso que, com a ajuda da sua astuciosa mulher, engana um comerciante simplório. Depois de ter defendido e conseguido a absolvição de um pastor em tribunal, num processo que lhe foi instaurado pelo tal comerciante, o jurista vê-se tomado nas teias que ajudara a tecer: o pastor recorre à estratégia que lhe havia sido instruída e recomendada para agora ludibriar também o próprio advogado.