Um colóquio com seis leituras sobre a obra um dos maiores vultos do neorrealismo português

No colóquio “Carlos de Oliveira, uma escrita tatuada”, Osvaldo Manuel Silvestre indagou o sentido da metáfora da tatuagem na obra do escritor e dos seus desdobramentos figurais, a gravação, a inscrição, e toda a uma oscilação entre estruturas de superfície e estruturas de profundidade, e António Pedro Pita apresentou um ensaio de releitura sobre “O Aprendiz de Feiticeiro”, um trabalho de “incorporação de leituras, referências e ressonâncias, depuradas através da sua própria experiência e sedimentadas na complexidade de um ‘ponto de vista’, entre o ‘astrólogo’ e o ‘inventor de jogos’”

Na sessão realizada em 20 de novembro, Rosa Maria Martelo fez uma comunicação sobre “halos, fulgores e reverberações”, desenvolvendo alguns dos sentidos e amplitudes formais de que podem revestir-se as meditações crepusculares em Carlos de Oliveira, a das visões do crepúsculo presentes em Entre Duas Memórias (1971) e Pastoral (1976), e Rita Patrício partiu da leitura de Descida aos Infernos para analisar a presença de Dante em Carlos de Oliveira, considerando a influência do poeta italiano na poesia portuguesa moderna e contemporânea.

Finalmente, Sérgio Dias Branco falou de Uma Abelha na Chuva, o filme de Fernando Lopes, para evidenciar as suas “qualidades lacónicas” que “contribuem para refazer a narrativa e o tom” do livro “noutra forma artística, já não como literatura, mas como cinema”, e Ida Alves falou “De tatuagens e texturas, modos de ler (em) Carlos de Oliveira”, “considerando sobretudo determinadas escolhas de leitura” do escritor para enfatizar a sua relação com “a imaginação alheia”.