A prática de colecionar acompanha a humanidade desde a Pré-História, tendo evoluído do simples agrupamento de pedras, conchas e outros objetos naturais para uma forma de afirmação de poder, conhecimento e identidade cultural.
Na Antiguidade, figuras como Augusto César foram pioneiras no colecionismo de moedas. Séculos mais tarde, durante o Renascimento, os cabinets de curiosités deram origem ao conceito moderno de coleção, reunindo objetos provenientes dos mais diversos domínios do conhecimento e procurando interpretar e representar o mundo.
É precisamente essa dimensão afetiva e apaixonada que caracteriza a exposição O Universo do Colecionador: coleção Joaquim Roque.
A coleção, construída ao longo de cerca de sessenta anos, distingue-se pelo seu carácter eclético e pela ausência de uma organização rígida ou de um tema orientador. Sem a preocupação de sistematizar o espólio, nem sequer de determinar com exatidão o número de peças que o compõem, cada objeto foi adquirido pelo prazer da descoberta, pelo fascínio que despertou ou pela vontade de o integrar numa coleção que cresceu de forma espontânea, movida unicamente pelo gosto de colecionar.
Mais do que um conjunto de objetos, esta coleção constitui o reflexo da personalidade, da curiosidade e da dedicação do seu proprietário, revelando que o verdadeiro espírito do colecionismo reside na história que cada peça encerra e na relação que estabelece com quem a preserva.
Desde a sua génese, o MACC – Museu de Arte e do Colecionismo de Cantanhede definiu como uma das suas principais missões dar visibilidade às coleções particulares e aos seus protagonistas, reconhecendo o contributo dos colecionadores para a preservação da memória, da identidade e do património cultural.
A apresentação da Coleção Joaquim Roque constitui o primeiro exemplo da concretização deste projeto museológico, inaugurando um ciclo de exposições dedicado aos apaixonados pelo universo do colecionismo e às histórias que as suas coleções encerram.
Visite e deixe-se surpreender!