Integrado na 5ª edição do ciclo “Gente da Nossa Terra” dedicada ao escritor Augusto Abelaira, será realizada uma conversa com duas das pessoas que a nível nacional mais acompanharam de perto a nível profissional e também pessoal o percurso, vida e obra de Augusto Abelaira: José Manuel Mendes e José Carlos Vasconcelos. Este será, porventura, um dos momentos mais marcantes da presente edição do ciclo “Gente da Nossa Terra”.
Será, no fundo, um tributo ao legado humano-cívico de Augusto Abelaira, enquanto luz do pensamento e da criatividade. A sessão comporta como que um apelo imperioso o regresso aos seus livros e a quanto neles é singularidade estética, livre construção, percurso não apagável.
José Carlos Vasconcelos colaborou frequentemente com Augusto Abelaira no “Jornal de Letras, Artes e Ideias” e em “O Jornal”, nos quais foi diretor, dando espaço a comentário político e cultural. Natural de Freamunde, foi membro ativo do movimento estudantil no tempo da ditadura, tendo sido presidente da Assembleia Magna da Associação Académica de Coimbra, pertenceu ao Secretariado Nacional dos Estudantes Portugueses (ilegal na altura), chefe de redação da “Via Latina”, órgão da Associação Académica de Coimbra. Foi também presidente e fundador do Círculo de Estudos Literários, dirigente e ator no Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra.
Jornalista, escritor e advogado, diretor do “JL, Jornal de Letras, Artes e Ideias” e coordenador editorial da revista “Visão”, presidente do Conselho Geral do Sindicato dos Jornalistas e da Assembleia-geral do Clube de Jornalistas; membro do Conselho Geral da Fundação Calouste Gulbenkian e do Conselho de Opinião da RTP, José Carlos Vasconcelos também chefiou a redação da revista cultural “Vértice” e pertenceu à direção do Cine-Clube.
Suspendeu o jornalismo profissional em 1971, devido à perseguição da censura prévia, e passou a exercer apenas a advocacia, mantendo colaborações em diversos jornais e revistas e com o movimento sindical. Foi um dos fundadores da “Projornal” e do semanário “O Jornal”, que dirigiu entre 1977 e 1985, altura em que deixou este cargo para ser candidato a deputado.
Como escritor, José Carlos de Vasconcelos publicou várias obras como “Corpo de Esperança” (1964), “Liberdade de Imprensa” (1972), “Poemas para a Revolução” (1975), “De Águia a Zebra” (1978), “O Mar A Mar A Póvoa” (2001), “Repórter do Coração” (2004), “Arco, Barco, Berço, Verso” (2005) e “Caçador de Pirilampos” (2007).
José Manuel Mendes, nascido em Luana em 1948, é escritor (livros de poesia, romances, coletâneas de contos, crónicas e dispersos), exerce o cargo de Presidente da Associação Portuguesa de Escritores desde 1992 e sócio Efetivo da Academia das Ciências de Lisboa.
Conferencista, apaixonado recitador de poesia (deu nome a um Prémio de Poesia instituído pela Câmara Municipal de Braga), membro de numerosos júris literários, e diversas associações culturais e sociais, foi deputado à Assembleia da República entre 1980-1991, sendo vastas as suas áreas de interesse e intervenção: Literatura, Filosofia, História, Direito, Medicina, Linguística, Música, Cinema, Pintura, Teatro entre elas.
Foi distinguido pelos Presidentes da República Mário Soares (Grande Oficial da Ordem do Mérito) e Jorge Sampaio (Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique), tendo recibo ainda a Medalha de Mérito Cultural, entre outras homenagens lhe foram prestadas ao longo dos anos.