Integrada na edição do projeto “Gente da Nossa Terra” dedicada a Maria Amélia de Magalhães Carneiro, a sala de exposições temporárias do Museu de Arte e Colecionismo de Cantanhede é palco no próximo sábado, 21 de fevereiro, a partir das 16h00, de uma roda de conversa intitulada “Ser Artista, Ser Mulher”, promovida pelo projeto “Feminismo para Tod*s”.Tendo em conta que Maria Amélia Magalhães Carneiro, enquanto artista plástica, fez carreira profissional nesta área, destaca-se o facto de o ter conseguido num tempo em que o acesso das mulheres à criação artística era ainda bastante limitado.A partir da relação entre arte, vida e feminismo, este será um encontro aberto à comunidade para reflexão conjunta e partilha coletiva sobre visibilidade, reconhecimento e memória das mulheres nas artes, bem como sobre o lugar das mulheres no mundo da arte, os caminhos que foram sendo abertos ao longo dos séculos e os obstáculos que continuam a marcar esse percurso nos dias de hoje. Como convidadas estão presentes Dina Lopes e Maria Manuel Carneiro.Dina Lopes é uma artista plástica licenciada em Pintura pela ARCA – EUAC e o seu percurso artístico caracteriza-se por uma investigação contínua sobre a memória, o tempo e a identidade, cruzando pintura, cerâmica, ilustração, música e intervenção artística no espaço público, desenvolvendo, desde 2000, uma técnica própria baseada na sobreposição de imagens e transparências, criando composições que convidam a viajar no tempo e no espaço, numa relação entre passado, presente e futuro.Ao longo da sua carreira realizou diversas exposições individuais (entre as quais uma com cerca de 40 obras na Casa da Cultura de Cantanhede) e coletivas, em Portugal e no estrangeiro. Criou também a obra “Nocturno”, que serviu de capa ao romance Nocturno de António Canteiro, inspirado na vida e obra do compositor António Fragoso. No processo criativo desta obra, Dina Lopes representou fotograficamente Maria Amélia Magalhães Carneiro, estabelecendo uma ponte simbólica entre gerações de mulheres artistas.Já Maria Manuel Magalhães Carneiro é licenciada em Filologia Germânica pela Universidade de Coimbra e, no âmbito da investigação genealógica a que se tem dedicado, coordenou diversas iniciativas de divulgação da vida e obra da pintora naturalista Maria Amélia Magalhães Carneiro, sua tia-avó.No mesmo dia, pelas 17h00, decorre no pátio do Museu uma performance de pintura, música e declamação de poesia ao vivo pelo projeto “Viscoso Acústico”, que propõe a criação de um objeto artístico multidisciplinar, cruzando os ofícios da literatura, artes plásticas e musicais, concentrados num núcleo comum. Este cruzamento procura criar um ambiente performativo, onde a pintora Filomena Neves irá criar um quadro em tempo real incorporando a música composta por João e Tomás Toscano, também em tempo real.