Seminário sobre os desafios da IA no Turismo reuniu uma centena de pessoas

O Município de Cantanhede assinalou o Dia Mundial do Turismo (efeméride comemorada a 27 de setembro) com um seminário subordinado ao tema “Agenda Digital e Inteligência Artificial para redesenhar o Turismo”. A sessão, que decorreu no auditório da Biblioteca Municipal, reuniu mais de uma centena de participantes, entre operadores turísticos, técnicos do setor e estudantes.

Que turismo queremos ou estamos a construir quando a Inteligência Artificial (IA) passa a participar nas decisões do viajante e do destino foi o mote para as intervenções de Tiago Baptista, professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, com doutoramento em Inteligência Artificial, Cláudia Seabra, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e João Diogo Ramos, cofundador do Museu Load ZX.
A abrir o seminário, a presidente da Câmara Municipal, Helena Teodósio, deixou algumas reflexões sobre o tema em discussão, constatando que “a visibilidade dos territórios já não depende apenas daquilo que possuem para suscitar interesse de visita, mas também daquilo que os sistemas tecnológicos digitais conseguem ler sobre eles”.
“A forma mais adequada de lidar com uma tecnologia da magnitude da IA é conhecê-la tanto quanto possível, interrogá-la e depois decidir o que queremos e podemos fazer com ela”, complementou.
Ainda de acordo com a autarca, o Turismo é “um setor com manifesto valor económico e com um grande potencial de crescimento”, o que “justifica o investimento que a Câmara Municipal tem vindo a fazer na promoção do território e também na estruturação da oferta turística a partir da valorização dos recursos existentes e do apoio aos operadores”.

A estratégia municipal nesta área pressupõe, todavia, uma “concertação de esforços de todas as entidades na estruturação, valorização e promoção de produtos turísticos”. 

Ao longo de duas horas e meia, os conferencistas convidados perspetivaram o que esperar do desenvolvimento da IA e suas aplicações nas atividades económicas e o impacto dos conteúdos digitais no comportamento dos turistas, procurando suscitar uma antevisão do modo como a acelerada evolução neste domínio poderá influenciar a atividade turística.

 “Desmistificar a IA: História e o Futuro da Experiência Humana” foi o tema da intervenção de Tiago Baptista, também principal AI Engineer na Kaizen Gaming. Numa perspetiva histórica, aquele especialista abordou algumas das ameaças e potencialidades da IA, destacando que o uso desta ferramenta tecnológica tende “a favorecer o desinvestimento pessoal nas aprendizagens”. Daí a necessidade de a educação e a formação “se focarem mais nas competências básicas como o raciocínio ou a interpretação”, afirmou.

Já Cláudia Seabra, que coordenadora do doutoramento em Turismo, Património e Território, fez uma intervenção em torno “Do Guia Turístico ao Algoritmo: Quem Nos Vai Mostrar o Mundo”.  Adiantando alguns indicadores sobre a importância do setor do turismo na economia nacional e mundial, a também investigadora do CEGOT referiu que “não basta apenas ter produtos turísticos valiosos, uma vez que, face ao peso crescente que as recomendações da IA têm na escolha dos destinos, a promoção dos territórios não pode deixar de passar pelo investimento na qualidade, na consistência e na acessibilidade da informação disponibilizada nas plataformas digitais”.

Finalmente, o também engenheiro informático e CEO da Retmarker S.A, João Diogo Ramos, apresentou quatro projetos assentes no uso da IA nesta unidade museológica. Numa apresentação que incidiu também na relação entre tecnologia, memória e património, o curador do museu afirmou que “a IA tem um enorme potencial para explorar essa relação em imensas abordagens que aliás podem ser exploradas em outros contextos culturais, ainda que nunca dispensando o controlo humano sobre todo o processo”.

O seminário terminou com a resposta dos intervenientes a várias questões suscitadas pela assistência.